Impactos no controlo do crescimento tumoral de NKG2D

Óla malta, viva

Uma nova edição do podcast “journal club imunoterapia tumoral” está disponível nos servidores pronto para a vossa escuta. Desta feita descrevo um artigo publicado recentemente no jornal IMMUNITY, 28(4):571-80 sobre um modelo de ratinho “knock-out” para NKG2D, um receptor activador sobretudo expresso em células NK, mas também outros tipos de linfócitos.

Os autores descrevem os fenótipos observados quandos estes ratinhos foram cruzados com ratinhos que naturalmente geram tumores (ratinhos TRAMP - cancro da prostata; e ratinhos Emicro-myc: linfomas do tipo B). Os resultados demonstram que os ratinhos knock-out geram tumores mais rapidamente e para o caso dos cancro da prostata, tumores mais massivose agressivos. Para estes tumores da prostata os autores observam curiosas expressoes de ligandos de NKG2D nos tumores mais desenvolvidos provenientes de ratinhos contendo o knock-out, facto que nao acontece nos tumores de ratinhos selvagens. Estes factos suportam a hipotese de um controlo imunologico via NKG2D do crescimento deste tumores nos animais selvagens.

Espero que vos desperte a curiosidade, de ler e ouvir.

Até breve

O mundo segundo Monsanto

O meu trabalho, por vezes, pelas suas restrições e inflexibilidades permite-me a liberdade de ocupar o tempo com actos bem úteis. E uma desses actos é pesquisar o YouTube por assuntos que me são caros. Há um meses atrás soube por um podcast que muito aprecio, que iria passar no canal franco-germa-belga Arte, um filme sobre “O mundo segundo Monsanto“.

Monsanto é um gigante da petro-química e que desde algumas dezenas de anos enverdou com muito sucesso na área da biotecnologia, chegando actualmente por métodos muito questionáveis ao controlo monopolista da produção agricula mundial.

Tendo ficado com a “pulga na orelha”, pus na lista de DVDs a adquirir o filme, que alias se encontra a venda na botique no canal Arte, tal como o livro.

Pois, estando eu a procura de assunto não patéticos sobre o YouTube, pesquiso “monsanto” e dou de caras com o filme … Oque vi, surpreendeu-me e consternou-me. Descobri um mundo manipulado por interesses económicos, de derespeito humano, civico, e ambiental. Ao ver o filme temo o futuro da minha descendência, e o futuro deste planeta tal como o conheco actualmente. Prevejo o pior. Deixo-vos aqui portanto a minha vontade do que eu vi não seja previlégio de poucos e um dia o filme seja retirado por conflito de interesses. Tirem Vós mesmos as conclusões, adquiram o filme ou o livro e passem a palavra. Os trechos são na versão inglesa e contem imagens chocantes em alguns momentos.












Uma pitada de açucar para acordar da dormência - inverter o estado de anergia dos TILs

Viva

A décima quarta edição do podcast Jornal Club Imunoterapia tumoral esta no “ar“.

Desta feita apresento-vos um artigo recentemente publicado no jornal Immunity, e que nos descreve que linfócitos T infiltrantes dos tumores podem ser extraidos do seu estado anergico por tratamento com N-acetillactosamina (LacNAC) ex vivo. O artigo explica que este açucar liga-se com a galectina-3 e impede que esta lectina crie uma matriz que impede a mobilidade do TCR (receptor da célula T) e do co-receptor CD8 e consequentemente a possibilidade de activação dos linfócitos.

Os autores observam que linfócitos recentemente isolados de metastases e ascites (liquido peritonial inflamatório) de cancro humano apresentam CD8 e TCR separados espacialmente, incapazes de serem marcados com tetrameros e produzirem citoquinas.Mas, uma vez incubados com LacNAC, o CD8 co-localiza com o TCR, e as células acquirem capacidade funcional. Mágico!

Criam-se expectativas de uso de ligandos de galectina-3 na reversão do estado anergico dos linfócitos infiltrantes dos tumores (TIL) e possiveis aplicações clínicas.

Um abraço.

Será a Arca de Noé das Sementes uma boa idea?

Já há uns tempos que ando a meditar sobre o assunto… e quanto mais penso mais me convenço que de facto não é boa idea. E sabem porquê? Por que acho que se esta a dar um cheque em branco para o desenvolvimento desenfreado da expansão de plantas genéticamente modificadas na exploração agricola mundial.

Numa primeira prespectiva a preservação das espécies nativas de cultures agricolas é louvável para a preservação da diversidade de interesse alimentar contra as supostas alterações climáticas e diminuição da diversidade agricola que ocorre desde a 50-60 anos.

Outra idea bem transmitida será também que face às alterações planetárias que se advinham no futuro a nivel climático e geopolitico, teremos uma diversidade genética que nos permitira seleccionar variantes adaptadas os neo-ecossistemas gerados e permitir a manutenção do fornecimento alimentar e mesmo energético (os famosos falsos bio carburantes). Louvável de novo, sem dúvida.

É verdade que a diversidade corre um risco enorme. A pressão actual para o fornecimento de recursos alimentares e mais recentemente energéticos vai “artificialmente” levar, e já leva, actualmente, ao uso de monoculturas e espécies em número limitado e em crescente número já genéticamente modificadas - não sejamos naïves sobre o assunto, é uma realidade actual. Sendo assim o espaço reservado às espécies nativas e respectivas variantes encontra-se em risco de desaparecer para sempre com a conivência politica dos estados face aos benefícios socio-económicos. Portanto a preservação é uma boia de salvação para a catastrofe ecológica que vivemos em termos de variabilidade vegetal no contexto alimentar (e não referindo outras catastrofes ecológicas).

Mas… esqueceram-se de fornecer algumas informações camufladas… a criação de um armazem de diversidade genética nativa é uma benesse para a industria de biotecnologia focalizada no desenvolvimento de variantes genéticamente modificadas, tais como a famosa Monsanto entre outros gigantes da petroquimica e biotecnologia. Estas empresas vão ter a garantia que estas variantes nativas vão ser preservadas podendo ser fonte quase infinita de variantes puras que podem assim re-manipuladas, patenteadas, vendidas e impingidas a preço de ouro aos pobres agricultores, mantendo e expandindo os seus lucros faraminosos. Outro enorme interesse de patrocinar a criação deste armazém perpétuo é evitar que as variantes existentes genéticamente modificadas contaminem as variantes naturais existentes, o que de certo modo é aceitar a presença e expansão desenfreada dos organismos genéticamente modificadas nas explorações agricolas.

Por outro lado estamos a permitir que de hoje em diante não nos preocupemos da redução da diversidade nas próximas décadas pois temos amostras “preservadas” pelo frio artico. Acto tipicamente humano de displicência tantas vezes observado.

Se esticar-mos mais a corda, podemos ainda chegar a conclusão que esta actitude tem pouco a haver com o processos ecológicos de evolução, adaptação e especiação que nos forneceram tantas variedades vegetais. Congelar é parar o processo de especiação natural de cada uma das espécies existentes.

Qual será  a melhor solução alternativa … a solução é primeiro eliminar todo o tipo de organismo genéticamente modificados na exploração agricola. Implementar e explorar o uso de variantes naturais adaptadas as condições geográficas/ecologicas e ambientais de cada região agricola. Incentivar a diversidade biológica e reduzir a estrutura extensiva da monocultura e exaustão dos solos agricolas, etc etc.

A tecnologia e o conhecimento de suporte existe, temos é de ter vontade de combater os poderes e influências politicó-economicos actualmente vigentes.

Resistência natural de bactérias do solo a antibióticos.

Num recente artigo publicado no jornal Science , é apresentada evidencia que bactérias encontradas no solo podem sobreviver quando cultivadas in vitro em meios de cultura onde a única fonte de carbono para as suas funções metabólicas são antibióticos.

Dos antibióticos testados, uma grande parte é utilizada na clínica, e das espécies resistentes aos antibióticos testados se includem grupos filogenéticos conhecidos pelas suas qualidades patogénicas tais como as ordens actinomycetales, enterobacteriales, e pasteureales, entre outras.

Mais uma vez se torna óbvio que a resistência natural de agentes patogénicos não é nada de novo na natureza e que precauções devem ser tomadas quanto a prescrição generalizada de antibióticos para situações clínicas de origem patogénica não susceptiveis a antibióticos ou de relativa pouca importância na qualidade de vida e que em situações de imunocompetência se resolvem em relativo pouco tempo de forma fisiológica e natural.

O uso descontrolado de antibióticos leva a selecção de variantes ou espécies resistentes aos antibióticos usados, com importantes consequências no controlo de situações patológicas graves.

Efeito estufa: CO2 é importante, mas esqueceram-se do metano

Eu adoro podcasts… ao ponto que a minha vida quase mudou desde que comprei o meu iPod, à dois anos atrás. Desde esse momento passei a ouvir mais programas de rádio que outra maneira nunca tinha disponibilidade de ouvir. E um dos exemplos deste tipo de programas é um programa de ecologia chamado “Terra-a-Terre” da rádio France Culture.Nesta edição do programa foram entrevistados dois cientistas (Benjamin Dessus e Bernard Laponche) que publicam um artigo muito interessante na revista francesa “La recherche” sobre o estado do efeito estufa, as alterações climáticas e a produção global do metano.Caso não entendam francês, a mensagem que os entrevistados passam é que o relatórios do Painel Intergovernamental para as alterações climáticas fazem uma subestimação da importância do metano no aquecimento global, que mesmo eu que não tenho grande memória historica, devido a minha relativa juventude, vejo e sinto já os efeitos.Para lembrar, o metano é um forte agente para o efeito estufa com capacidade de retenção radiação térmica 100 vezes superior ao CO2, mesmo tendo um tempo de vida inferior no seu ciclo de degradação e reciclagem. As fontes de metano ao contrário das fontes de CO2 não estão a ser reduzidas. Por motivos claramente de publicidade e falta de suporte científico junto das entidades politicas, o metano foi posto de parte e actualmente só se tem atacado essencialmente um dos elementos do efeito estufa o CO2. As fontes de metano são inumeras: a produção mundial de gado (60% da produção mundial), libertação de gaz apartir de exploração petrolifera, descongelamento da tundra artica, degradação aneróbica do lixo doméstico em todo o mundo, água estagnante e todos os lugares onde a degradação de matéria organica ocorre sem oxigénio.Ao contrário do que se possa pensar a produção de metano não é neglijável e como foi incorrectamente equiparada a CO2 (1 tonelada de metano <> 21 toneladas de CO2) sem ter em conta a muito superior capacidade de induzir o efeito estufa (>100 x), mesmo reduzindo a produção de CO2 a nivel global a produção de metano vai fazer disparar os efeitos a muito curto termo.Eu fiquei assustado a ouvir o programa. :(Dêem uma olhada no site do programa e se quiserem subscrevam o conteúdo. Vale a pena.O texto publicado na revista “la recherche” pode ser encontrado aqui

Edição #13 do podcast Journal club imunoterapia tumoral disponível

Olá,

Nesta edição do podcast apresento-vos o artigo ” A single Naive CD8+ T cell precursor can develop into diverse effector and memory subsets” por Stemberg et al Immunity 2007, 27:985.

Este artigo demonstra que um único precursor T naïve OT-1 pode gerar um repertorio diverso de células T efectoras e T memória (memória efectoras e memórias centrais). Este artigo vem redescrever o nosso conhecimento sobre as origens das populações memória T.

Os autores transferem uma única célula T naïve OT-1 (CD45.1 +) num ratinho naïve C57BL/6 (CD45.1 -) e estimulam as células com bacteria Listeria monocytogenes expressando o antigénio OVA. 12 dias após a estimulação e a transferência da célula precursora os autores observam a expansão celular das células CD45.1+ com formação de células memória efectoras (CD62L low, CD127+) e células memória centrais
(CD62L high, CD127+). Estas células memória são capazes de desenvolver respostas memória após restimulação e mesmo quando a transferência das célula precursora ocorre após a estimulação antigénica.

Como nota, os marcadores equivalentes em humanos para as subpopulações memória são:

  • células T naïve: CD45RA positivo, CCR7 positivo
  • células T efectoras: CD45RA positivo, CCR7 negativo
  • células T memória centrais: CD45RA negativo, CCR7 positivo
  • células T memória efectoras: CD45RA negativo, CCR7 negativo.

Para mais informações queiram consultar este excelente artifo de Rufer et al de 2003.
Até breve.

Pedro

PS: O podcast pode ser descarregado aqui.

Prevenção da asma através do leite materno.

É verdade que recentemente um familiar meu teve um bébé e tal facto chamou-me a atenção para um artigo publicado no jornal Nature Medicine, onde se demonstra num modelo animal que a presenca de agentes alergenicos no leite materno proveniente do animal lactante permite criar tolerância por via oral aos mesmos agentes alergénicos na prógenia alimentada. Porque tal acontece? Pelos vistos, durante a amamentação existe produção de TGF-beta (uma citoquina imuno-supressora) que impede a criação de reactividade dos animais alimentados ao agente alergénico. Interessante não é?! Mais uma razão para promover e incentivar a amamentação dos recem-nascidos com leite materno.

Possível antigenicidade de mutações no cancro do colon e cancro da mama.

Em continuação de um recente artigo publicado na jornal Science e onde se detectou a presenca de um elevado número de mutações no cancro da mama e no cancro colorectal, o grupo de JP Allison decidiu identificar quais destas proteinas mutadas podem dar origem a potentiais peptideos apresentáveis pelas moleculas do complexo major de histocompatibilidade HLA-A*0201.

Um longo peptideo contendo as sequencias mutadas foi introduzido em vários algoritmos in silico de predição de peptideos capazes de se ligar a HLA-A*0201. O resultado é a conclusão que cada cancro individual do cancro da mama e cancro do colon gera aproximadamente 10 e 7 novos peptideos antigenicos respectivamente.

O trabalho é simplesmente uma estimação da realidade e restringe-se a este haplótipo (HLA-A*0201) uma vez que somente uma minoria dos peptideos preditos será efectivamente capaz de ser apresentado naturalmente pelas células tumorais ao sistema imunológico. Mas demonstra que existe um enorme potencial antigénico gerado por estas mutações que pode ser aproveitado de forma individual para combater o tumor.

Analise multiparamétrica in situ do cancro do colon

Estava a rever os artigos mais interessantes deste mês e dei de caras com um novo método de avaliação da espressão de proteinas em tecidos.

O sistema chama-se MELC e basicamente é um sistema de microscopia robotisado que permite que vários anticorpos/lectinas sejam analisados sequencialmente através de ciclos de incubação, acquisição de imagem e “photobleaching”. Sendo assim a mesma amostra e estrutura histológica pode ser analisada para várias dezenas de antigénios mantendo-se a topologia. Facilmente se podem depreender as avantagens do sistema. Por exemplo várias subpopulações linfocitárias que invadem um tecido tumoral podem ser avaliadas para sua diversidade e capacidade funcional, ao mesmo tempo que marcadores tumorais.

Um recente artigo publicado este mês no jornal Cancer Research por Berndt et al utiliza esta tecnologia e mostra um estudo comparativo entre as várias fases de evolução neoplásica do cancro do colon: mucosa normal do colon, “ulcerative colitis” e cancro colorectal.

Neste artigo os autores avaliam a presença de linfócitos CD8, CD4, ou CD3 em conjugação com outros anticorpos dirigidos contra CD25, CD45RA, CD45RO, NF-Kb, HLA-DR, Bcl2, Bax, Caspase3/8, CD2 (molécula de co-estimulação em linfócitos), CD15 (relacionado com a adesão ao endotélio e marcador de neutrófilos), CD11 (alpha-integrina), CD29 (beta2-integrina), CD54 (ICAM-1), e CD58 (LFA-3 ligando de CD2). Os autores concluem:

  • o número de linfócitos activados é superior à colite e mucosa normal.
  • CD4+CD25+ são mais frequentes na mucosa normal que no cancro colorectal e num estado não activado (NK-Kb negativas), sendo o número de CD4+CD25+ activadas (NF-Kb+) superior na colite.
  • O número de linfócitos T CD4 e CD8 activados é superior no cancro do colon que na mucosa normal.
  • O número de linfócitos T memória (CD45RO) no cancro do colon é superior a mucosa normal.
  • Os linfócitos T parecem resistentes a apoptose, expressando quantidades superiores de Bcl-2 que na mucosa normal.
  • Neutrófilos são frequentes no cancro e potencialmente resistentes à apoptose expressando Bcl-2 e sendo caspase8 negativos
  • No cancro do colon em comparação com a mucosa normal linfócitos T, sobretudo CD8+ expressam mais CD29 (beta-integrina), ICAM-1 e LFA-3
  • As células NK são frequentes no cancro e expressam moléculas de adesão.

Portanto neste estudo sobre 10 biopsias/grupo de tecido obtidas por endoscopia, pode-se retirar uma enorme quantidade de informação sobretudo pela sua complementaridade. A mesma amostra permite retirar um elevado numero de informações mantendo-se a topologia tri-dimensional do tecido constante. A conjugação sequencial de vários anticorpos na mesma amostra permite a analise multiparamétrica de um tecido ou célula dentro do seu contexto histológico e funcional.

Embora o estudo seja relativamente pouco aprofundado, permite desde já obter uma elevada quantidade de informação.

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