Ando a ler um livro magnifico - “Na tua face” de Vergílio Ferreira.
Ando a reaprender a ler literatura de qualidade.
Eis uma passagem tocante que demonstra a riqueza estética, a subtilidade, o vogar do espírito:
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- E que é que você fez?
- Nada, não me lembro, fiquei tão encantado, de que é que podia lembrar-me?
- Mas eu esperei infinitamente que você me não humilhasse, que percebesse que eu abrira uma porta e você não ficasse à porta. E eu pensei o que ele quer de mim? podera ele entender um corpo de mulher? sabera ele a verdade de um seio, de uma boca, do sítio definitivo em que este corpo se cumpre? do sítio em que o animal tem o direito de existir? Ele vai beijar-me, pensei, vai conhecer as mãos com os meus seios, vai indagar do secreto do meu ser, da fonte do meu sangue e eu vou sentir que o seu amor também tem um corpo a companhar. Mas você não fez nada, nem se me beijou e eu tive asco e horror e desprezo por si.
- Ouça Bárbara. Babi.
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