Archive for Dezembro, 2007

Boas festas

Olá…

Pausa para o Natal!  Bem merecida, pois o ano de 2007 foi bem agitado para os meus lados ao nível pessoal e profissional. Espero que 2008 seja mais progressivo e menos agitado.

Ando cheio de projectos para o podcast que desevolvo e para o blog. Durante estas férias vou continuar as minhas leituras e se possivel passar a escrever mais no blog como fiz no ínicio… Acho que existem muitos estudos que são publicados e que deveriam ser publicitados com mais ênfase.

Por outro lado, eu e os meus colégas belgas estamos a preparar um novo podcast em imunologia. Como será feito por pessoas com origens diferentes (um Português, um indiano, um belga e possivelmente um francês), o podcast será em inglês… será um enorme desafio pessoal e científico. Para já temos feito vários investimentos para que o podcast tenha uma boa base técnológica e logistica… em Janeiro estará disponível de certo.

Portanto… ficam aqui os meus votos de um óptimo Natal e um vêmo-nos em 2008.

Pedro

Edição #9 do podcast disponível - Koebel et al 2007 Nature 450:903.

Olá Malta

Último podcast antes da chegada do Natal. Para terminar este semestre de actividade do “journal club” decidi apresentar-vos um artigo de referência do grupo de Robert Schreiber onde é descrita a fase de equilibrio ténue entre o sistema imunológico e o desenvolvimento tumoral.

No artigo recentemente publicado no jornal Nature, Koebel e colaboradores desenvolvem um modelo de desenvolvimento tumoral tirando partida da actividade tumorigénica do 3′-methilcolanthreno, um produto químico estremamente perigoso e carcinogénico encontrado no fumo do tabaco.

Após uma simples aplicacao em duas estirpes de ratinhos e removendo do estudo todos os ratinhos que apresentaram crescimento de tumores durante um periodo superior a 200 dias, os autores seleccionaram os ratinhos onde se detectavam pequenas massas tumorais palpaveis que nao proliferavam - os ratinhos apresentavam tumores em estado de “letargia”.

Estes ratinhos com tumores latargicos ou dormentes foram posteriormente tratados com anticorpos que os tornava imunodeficientes (tratamento contra linfócitos CD4 e CD8, ou tratamento anti-interferão gamma ou anti-IL-12) para o sistema imunológico adaptativo, e observaram que os tumores até então dormentes se tornaram activos e os ratinhos não consigam controlar os tumores em plena expansao. Portanto, estes ratinhos mantinham os tumores estáveis devido ao seu sistema imunológico, que uma vez aniquilado, estes tumores tornavam-se letais.

Os autores demonstram que estes tumores que surgem apartir de massas tumorais dormentes sao estremamente tumorigenicos e pouco imunogénicos (incapazes de estimular o sistema imunológico), uma vez que estes tumores foram progressivamente seleccionados pelo sistema imunologico. Por outras palavras, progressivamente são eliminadas as variantes tumorais que sao possiveis de ser reconhecidas pelo sistema imunológico, restando variantes que não são reconhecidas e portanto escapam ao controlo.

Embora as evidencias moleculares não sejam mostradas no artigo, este trabalho é importante para a complementação da teoria dos 3 És: eliminacao, equilibrio e escape desenvolvida por este grupo e que explica o desenvolvimento tumoral num individuo imunologicamente competente.

Um forte abraço e espero os vossos comentários.

Pedro

PS: o ficheiro mp3 pode ser descarregado aqui

As minhas sugestões de leitura…

Olá

Já há algum tempo que não proponho umas leituras sobre imunologia em jornais do domínio. Eis algumas escolhas que recolhi recentemente e que vos porão ser uteis:

“Adaptive immunity maintains occult cancer in an equilibrium state” Koebel et al 2007 Nature 450: 903.

“AIDS virus-specific CD8+ T lymphocytes against an immunodominant cryptic epitope select for viral escape” Maness et al 2007 JEM 204: 2505

“TLR ligands differentially modulate T cell responses to acute and chronic antigen presentation” Singh et al 2007 JI 179: 7999 e respectivo artigo comentário “New lane in information highway: alternative reading frame peptides elicit T cells with potent antiretrovirus activity” Yewdell and Hickman 2007 JEM 204: 2501

“Dendritic cell preactivation impairs MHC class II presentation of vaccines and endogenous viral antigens” Young et al 2007 104: 17753

“Adjuvanting a DNA vaccine with a TLR9 ligand plus Flt3 ligand results in enhanced cellular immunity against the simian immunodeficiency virus” Kwissa et al 2007, 204 : 2733

“Programed death-1 concentration at the immunological synapse is determined by ligand affinity and availability” Pentcheva-Hoang et al 2007 104: 17765

Boas leituras…

Edição n. 8 do podcast disponível: Gakamsky et al 2007 PNAS 104: 16639

Olá malta!

Neste oitava edição do Podcast Imunoterapia Tumoral apresento-vos o artigo de Gakamsky et al, publicado recentemente no jornal PNAS vol 104: 16639 de 2007.

Este artigo vem pela primeira vez corroborar com dados de biofísica os dados apresentadas por vários trabalhos baseados em cristalografia do complexo TCR/peptideo-MHC, e onde é sugerida de o domínio do CDR3 é capaz de uma certa mobilidade e capacidade de adaptar-se (”fiting”) à superfície tri-dimensional do complexo peptídeo-MHC.

Para relembrar: o TCR é o receptor da célula T, que reconhece peptídeos (oligopeptideos) apresentados pela molecula Major de Histocompatibilidade (MHC). As células T são de dois tipos: CD4 ou CD8, sendo as células T CD4, apresentando o co-receptor CD4 e reconhecendo peptides apresentados pelo moleculas MHC de classe II; e as células T CD8 apresentando o co-receptor CD8 e reconhecendo peptídeos apresentados pelas moleculas MHC classe I.

No caso das respostas adaptativas, o reconhecimento de peptídeos apresentados por moléculas MHC pelas células apresentadoras de antigénios é fundamental para a modulação das respostas imunológicas (nomeadamente via células T CD4) e para a criação de respostas efectoras capazes de eliminar situações anómolas tais como infecções virais, parasitarias ou tumorais (via células T CD8).

A variabilidade dos TCR é enorme (10^13), mas também enorme o número de sequências de amino ácidos apresentados pelas moléculas MHC. Por cristalografia sugeriu-se que o domínio CDR3 do TCR, que reconhece sobretudo o complexo peptideo-MHC tem flexibilidade, podendo-se adaptar em várias conformações, podendo assim cobrir mais sequencias peptideo-MHC doque se fosse rigido. Este artigo que apresento, mostra por estudos de FRET (Fluorescence Resonance Energy Transfer) que as energias envolvidas e a rapidez do processo é compativel com os estudos cristalográficos e abre assim uma nova maneira de interpretar o reconhecimento de peptideos pelo TCR.

Espero pelos vossos comentários e sugestões…

Pedro

PS: Podem descarregar o ficheiro mp3 aqui!

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