Archive for Janeiro, 2008

Imunologia tumoral: as minhas selecções do mês de Janeiro

Olá

Decidi que todos os meses vos apresentar uma resenha de artigos relacionados com a imunologia tumoral e imunoterapia que foram publicados nos jornais da especialidade durante o mês… espero que vos seja ÚTIL.

A single naive CD8 T cell precursor can develop into diverse effector and memory subsets” Stemberger et al 2008, Immunity 27: 985

Endogenous human microRNAs that supress breast cancer metastasis” Tazavoie et al 2008, Nature 451: 147

Dendritic cell-induced memory T cell activation in Nonlymphoid tissues” Wakim et al 2008, Science 319: 164

Recognition of a ubiquitous self antigens by prostate cancer-infiltrating CD8+ T lynphocytes” Savage et al 2008, Science 319: 215 Acabei de rever este artigo e fico espantado como foi publicado na revista Science. Nada de novo pois não é a primeira vez que antigénios self sejam considerados antigénios tumorais eg. a telomerase humana. Ainda por cima o artigo tal como é escrito, tendo como base um modelo animal transgénico, células T de baixa avidez e uma série de estravagâncias de certo o mesmo artigo não passaria e seria rejeitado de certo na Cancer Research… há malta com sorte e boas amizades, pistões etc etc… 

Human T cells stimulate fibroblast-mediated degradation of extracellular matrix in vivo” Mikko et al 2008, Clinical & Experimental Immunology 115: 317

Combined immunization with adjuvant molecules poly(I:C) and anti-CD40 plus a tumor antigen has potent prophylactic and therapeutic antitumor effects” Llopiz et al 2008, Cancer Immunology Immunotherapy 57: 1432

Anti-cancer therapies targeting the tumor stroma” Holfmeister et al Cancer Immunology Immunotherapy 57: 1

Regulatory NK cells supress antigen-specific T cell responses” Deniz et al The Journal of Immunology 180: 850

“Pregnancy allows the transfer and differenciation of fetal lymphoid progenitors into functional T and B cells in mothers” Khosrotehrani et al The Journal of Immunology 180: 889 Nos últimos tempos tenho andado fascinado com o fenómeno de microquimerismo durante a gravidez. Recentemente um artigo sugeria que o microquimerismo poderia proteger as gravidas de cancros da mama, pois a frequência de cancros presentes em mulheres com evidências de microquimerismo (células do feto em circulação no sangue da mãe) era menor… eu vou encontrar o artigo e coloca-lo como referência.

CD8 T cell expansion and memory differentiation are facilitated by simultaneous and sustained exposure to antigenic and inflammatory millieu” Shaulov et al The Journal of Immunology 180:1131

Cigarette smoke-induced pulmonary inflamation is TLR4/MyD88 and IL-1R1/MyD88 signaling dependent” Doz et al The Journal of Immunology 180: 1169

Increased antigen presentation efficiency by coupling antigens to MHC class I trafficking signals” Kreiter et al The Journal of Immunology 180: 309

Increased antigen presentation efficiency by coupling antigens to MHC class I trafficking signals” Kreiter et al The Journal of Immunology 180: 309

Distinct role for CD8 T cells torward cutaneous tumors and visceral metastases” Lengagne et al The Journal of Immunology 180: 130

Sensitization of tumor cells to NK cell-mediated killing by proteasome inhibition” Hallet et al The Journal of Immunology 180: 163

Analysis and characterization aof antitumor T-cell response after administration of dendritic cells loaded with allogeneic tumor lysate to metastatic melanoma patients” Bercovici et al Journal of Immunotherapy 31: 101

Purification of melanoma reactive T cell by using a monocyte-based solid phase T cell selection for adoptive therapy” Li et al Journal of Immunotherapy 31: 81

T-cell receptor gene therapy of established tumor in murine melanoma model” Abad et al Journal of Immunotherapy 31: 1

Edição #10 do podcast Journal club imunoterapia tumoral disponível.

Olá, Viva.

Décima edição do podcast “Journal Club Imunoterapia tumoral”.

Apresento-vos o artigo  Dendritic cell preactivation
impairs MHC class II presentation of vaccines and endogenous viral
antigens Young et al 2007 PNAS 104: 17753

Este artigo demonstra que células dendriticas no seu estado maturo in vivo são incapazes de induzir respostas imunológicas específicas de um antigénio, e sobretudo que a
razão que justifica este comportamento é a ausência de sintese das moléculas alpha e beta do
heterodimero MHC classe II após maturação. Os autores observam que mesmo após maturação, as células continuam a apresentar capacidade de endocitose e capacidade de
degradar antigénios solúveis e antigénios endogenos à célula dendritica, tais como antigénios virais.

As células dendriticas são células fundamentais no desenvolvimento de respostas imunológicas in vivo sobretudo pela sua capacidade de induzirem a activação de linfócitos T naive.

Para induzir a maturação das células dendriticas in vivo, os autores injectam CpG 1668 em ratinhos o que gera uma maturação generalizada das células dendriticas encontradas no baço destes ratinhos. Semelhante fenómeno pode ser encontrado em condições de choque séptico ou em situações de infecções parasiticas como por exemplo a malária.

O CpG são moléculas de ADN lineares ricas em sequências de nucleotideos citosina e guanina e que tem a propriedade de induzir fortes respostas imunológicas. Tal acontece porque existem nas células do sistema imunológico receptores que se ligam a este tipo de
moléculas muito comuns em agentes infecciosos: os receptores Toll-like.  Estes receptores Toll-like são vários e reconhecem cada um deles um tipo específico de moléculas, eg TLR9 reconhece CpG, TLR4 reconhece LPS, TLR3 reconhece Poly I:C. Para mais informações deem uma olhada no link seguinte do wikipedia.

Embora in vitro existam vários estudos sobre os aspectos funcionais das células dendriticas, estudos in vivo são raros. Este estudo é por isso valioso para reforçar o nosso conhecimento dos processos imunológicos.

Um abraço e até breve.

Podem descarregar o ficheiro mp3 aqui.

Pedro

Estação de rastreio da ESA entra em funcionamento nos Açores

Olá

Acabei de ver no site da Agência Espacial Europeia, que a estação de rastreio espacial entrara em funcionamento muito em breve e vai tomar parte da monitorização do módulo Julio Verne para a estação espacial internacional em orbita. Portugal torna-se assim um elemento importante no controlo dos lançamentos em orbita apartir da base Kourou na Guiana Francesa.

Pedro

Fundamentos de Imunologia - a pedrada no charco!

Caríssimos

Este Natal recebi um presente escolhido a dedo: o livro Fundamentos de Imunologia. Uma verdadeira pedrada no charco. Finalmente existe um livro de referência sobre imunologia, escrito em Português por investigadores Portugueses.

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O livro é co-escrito e co-editado por Fernando Arosa, Elsa Cardoso e Francisco Pacheco, e conta com a participação de vários outros autores: Manuel Vilanova, Paula Ferreira, Eugénia C. Miranda Santos, Júlia Vasconcelos, Esmeralda Neves, João Castro e Melo, Luís Delgado, Ana J. Coito, Luís Taborda Barata, Sara Maia, Ângelo Cardoso, Francisco C. Pacheco.

É um livro essencialmente virado para a vertente pedagógica e dirigido assim ao apoio ao ensino da imunologia nas áreas da ciências da saúde (Biologia, Bioquímica e Medicinas), tal como demonstra o último capítulo sobre a imunologia da cavidade bucal :)

Sendo esta a primeira edição, o livro tem muito espaço para se desenvolver e sobretudo criar uma interface gráfica mais aliciante e de mais fácil leitura, tal como outros livros de referência de lingua inglesa. O livro é ilustrado, embora monocrómatico, mas não existe grande perfusão e existem incoerências de estilos e formatos a nível gráfico e textual. Por exemplo, os sumários de introdução para cada capitulo são em alguns casos extremamente longos. Alguns temas ficam por abordar e sobretudo é pena que uma sumário explicativo dos principais métodos usados na avaliação e quantificação de respostas e fenómenos imunologicos não esta presente, embora o capítulo sobre a imunologia anti-tumoral o mostre sumariamente.

Criticas à parte o livro é para mim uma verdadeira referência, e vem por isso colocar uma série padrões linguisticos e sumarizar muita informação dispersa e actual sobre o domínio da imunologia. É portanto com regozijo que vejo a comunidade científica nacional tomar partido na divulgação de um ramo científico que sobretudo nas últimas 3 décadas tem dado cartas pela sua vitalidade, expansão, complexidade e impacto na saúde pública.

Fica o convite para adquirirem todos a vossa cópia… eu não recebo comissões!

Podem adquirir aqui junto do editor (Lidel.pt)


 

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