É verdade que recentemente um familiar meu teve um bébé e tal facto chamou-me a atenção para um artigo publicado no jornal Nature Medicine, onde se demonstra num modelo animal que a presenca de agentes alergenicos no leite materno proveniente do animal lactante permite criar tolerância por via oral aos mesmos agentes alergénicos na prógenia alimentada. Porque tal acontece? Pelos vistos, durante a amamentação existe produção de TGF-beta (uma citoquina imuno-supressora) que impede a criação de reactividade dos animais alimentados ao agente alergénico. Interessante não é?! Mais uma razão para promover e incentivar a amamentação dos recem-nascidos com leite materno.
Archive for Fevereiro, 2008
Prevenção da asma através do leite materno.
Publicado Quinta-Feira, 28 Fevereiro 2008 Imunologia , Jornais de Imunologia online , ciência 0 ComentáriosTags: amamentação., asma, leite materno, ratinho, tolerância
Possível antigenicidade de mutações no cancro do colon e cancro da mama.
Publicado Quinta-Feira, 28 Fevereiro 2008 Imunologia , Jornais de Imunologia online , ciência 0 ComentáriosTags: Allison, antigénios, cancro da mama, Cancro do colon, HLA-A*0201, in silico, mutações
Em continuação de um recente artigo publicado na jornal Science e onde se detectou a presenca de um elevado número de mutações no cancro da mama e no cancro colorectal, o grupo de JP Allison decidiu identificar quais destas proteinas mutadas podem dar origem a potentiais peptideos apresentáveis pelas moleculas do complexo major de histocompatibilidade HLA-A*0201.
Um longo peptideo contendo as sequencias mutadas foi introduzido em vários algoritmos in silico de predição de peptideos capazes de se ligar a HLA-A*0201. O resultado é a conclusão que cada cancro individual do cancro da mama e cancro do colon gera aproximadamente 10 e 7 novos peptideos antigenicos respectivamente.
O trabalho é simplesmente uma estimação da realidade e restringe-se a este haplótipo (HLA-A*0201) uma vez que somente uma minoria dos peptideos preditos será efectivamente capaz de ser apresentado naturalmente pelas células tumorais ao sistema imunológico. Mas demonstra que existe um enorme potencial antigénico gerado por estas mutações que pode ser aproveitado de forma individual para combater o tumor.
Analise multiparamétrica in situ do cancro do colon
Publicado Quarta-feira, 20 Fevereiro 2008 Imunologia , Jornais de Imunologia online , ciência 0 ComentáriosTags: Cancer Res, Cancro do colon, MELC
Estava a rever os artigos mais interessantes deste mês e dei de caras com um novo método de avaliação da espressão de proteinas em tecidos.
O sistema chama-se MELC e basicamente é um sistema de microscopia robotisado que permite que vários anticorpos/lectinas sejam analisados sequencialmente através de ciclos de incubação, acquisição de imagem e “photobleaching”. Sendo assim a mesma amostra e estrutura histológica pode ser analisada para várias dezenas de antigénios mantendo-se a topologia. Facilmente se podem depreender as avantagens do sistema. Por exemplo várias subpopulações linfocitárias que invadem um tecido tumoral podem ser avaliadas para sua diversidade e capacidade funcional, ao mesmo tempo que marcadores tumorais.
Um recente artigo publicado este mês no jornal Cancer Research por Berndt et al utiliza esta tecnologia e mostra um estudo comparativo entre as várias fases de evolução neoplásica do cancro do colon: mucosa normal do colon, “ulcerative colitis” e cancro colorectal.
Neste artigo os autores avaliam a presença de linfócitos CD8, CD4, ou CD3 em conjugação com outros anticorpos dirigidos contra CD25, CD45RA, CD45RO, NF-Kb, HLA-DR, Bcl2, Bax, Caspase3/8, CD2 (molécula de co-estimulação em linfócitos), CD15 (relacionado com a adesão ao endotélio e marcador de neutrófilos), CD11 (alpha-integrina), CD29 (beta2-integrina), CD54 (ICAM-1), e CD58 (LFA-3 ligando de CD2). Os autores concluem:
- o número de linfócitos activados é superior à colite e mucosa normal.
- CD4+CD25+ são mais frequentes na mucosa normal que no cancro colorectal e num estado não activado (NK-Kb negativas), sendo o número de CD4+CD25+ activadas (NF-Kb+) superior na colite.
- O número de linfócitos T CD4 e CD8 activados é superior no cancro do colon que na mucosa normal.
- O número de linfócitos T memória (CD45RO) no cancro do colon é superior a mucosa normal.
- Os linfócitos T parecem resistentes a apoptose, expressando quantidades superiores de Bcl-2 que na mucosa normal.
- Neutrófilos são frequentes no cancro e potencialmente resistentes à apoptose expressando Bcl-2 e sendo caspase8 negativos
- No cancro do colon em comparação com a mucosa normal linfócitos T, sobretudo CD8+ expressam mais CD29 (beta-integrina), ICAM-1 e LFA-3
- As células NK são frequentes no cancro e expressam moléculas de adesão.
Portanto neste estudo sobre 10 biopsias/grupo de tecido obtidas por endoscopia, pode-se retirar uma enorme quantidade de informação sobretudo pela sua complementaridade. A mesma amostra permite retirar um elevado numero de informações mantendo-se a topologia tri-dimensional do tecido constante. A conjugação sequencial de vários anticorpos na mesma amostra permite a analise multiparamétrica de um tecido ou célula dentro do seu contexto histológico e funcional.
Embora o estudo seja relativamente pouco aprofundado, permite desde já obter uma elevada quantidade de informação.
Pois, pois… Como não andava muito satisfeito com as audiências lusofonas do meu podcast “Journal Club” Imunoterapia tumoral, decidi criar um “podcast” gémeo: Tumor Immunology Round Table.
Agora já podem ouvir o meu excelente
sotaque Luso/franco/anglo… etc. e comparar os conteúdos. O trabalho em um pouco superior mas espero ter mais retorno e sobretudo permitirá que os meus colegas e amigos possam participar e criar programas mais dinâmicos.
Um abraco
Pedro
PS: Próximo podcast programado para a semana de 26 de Fevereiro.
Edição #12 do podcast Journal club imunoterapia tumoral disponível
Publicado Terça-feira, 12 Fevereiro 2008 Imunologia , Podcast 0 ComentáriosTags: alternative reading frame, criptico, escape, imunoediting, mutação, quadro de leitura alternativo, Rhesus macaques, SIV
Olá malta…
Já eram quase 3 da manhã quando terminei de editar esta edição e codificava o mp3 respectivo. Quem corre por gosto não cansa!
Desta feita encontrei um artigo na sequência da edição anterior - continuamos no mundo do SIV e das suas respostas imunológicas, sobre introdução de mutações in vivo num peptideo apresentado pelas moleculas do complexo major de histocompatibilidade de classe 1 (MHC mamu-B*17).
Se este fenómeno não tem nada de muito invulgar no mundo dos virus. Mas, o que é invulgar e se torna o apelativo deste artigo chamado ” AIDS virus-specific CD8+ T lymphocytes against an imunodominant cryptic epitope select for viral escape” JEM 2007 2004: 2505 por Maness et al é o facto ser proveniente de um quadro de leitura alternativo (ou altered reading frame) do gene env do SIV. Mais curioso ainda é que este peptideo é significativamente imunogénico (capaz de induzir respostas imunológicas mediadas por linfócitos T CD
e as respostas induzidas dominantes comparadas com outros peptideos do mesmo virus.
Vai disto, o virus para escapar a pressão imunológica exercida pelos linfócitos T CD8 específicos deste peptideo criptico que são capazes de reconhecer células infectadas com o virus em causa, realizam a mutação particular do peptideo de modo a alterar a sua sequência e reduzir a afinidade para a molécula de MHC classe I mamu-B*17. O peptideo mutado tem muita menos afinidade e não é imunogénico e logo incapaz de mobilizar os linfócitos T CD8 e estes não consegue reconhecer células infectadas com virus contendo a mutação em causa. Também interessante o facto que a mutação introduzida só afectar o peptideo criptico, pois a mesma mutação não altera a sequência de amino ácidos do gene env de onde o peptideo é proveniente (mutação sinónima).
Estamos portanto em face de um fenómeno estremamente curioso que dá muito que pensar sobre as estratégias que os virus podem introduzir de modo a escapar ao controlo imunológico, e não podemos deixar de estrapolar situações semelhantes que podem ocorrer para as células tumorais. Estamos perante portanto a uma situação de “ImunoEditing” ou modificação antigénica mediada pelo sistema imunológico.
Que tal?
Um abraço e boas leituras… ler é aprender e abrir horizontes!
Pedro
PS: o ficheiro pode ser descarregado aqui.
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Edição #11 do Podcast Journal club Imunoterapia tumoral disponível.
Publicado Domingo, 3 Fevereiro 2008 Imunologia , Podcast 0 ComentáriosTags: CpG, ensaio pré-clinico, Flt3, HIV, http://pmsalves.podomatic.com, journal club imunoterapia tumoral, Podcast, Rhesus macaques, SIV, vacinação profilática.
Olá malta…
Após um mês de Janeiro cheio de peripécias, consegui gravar uma nova edição do podcast. Desta feita, descrevo-vos um artigo onde se utiliza a estratégia de “prime-boost” amelhorada com CpG e FLT3L para aumentar a sua eficácia objectiva num ensaio pre-clinico em macacos para o virus SIV.
Eu achei este artigo muito interessante por ser um artigo relatando um ensaio pré-clinico em primatas (Rhesus macaques), e tratar-se de um modelo de HIV (human immudeficiency virus) - SIDA em português. É claro que neste experimental de primatas tenta-se tratar os animais com a variante símia (SIV).
Outro factor interessante no artigo é o uso de uma estratégia de vacinação onde se utilizam dois vectores virais de origens distintas expressando os mesmo antigénios (SIV gag e pol) e HIV (Env e Nef). O uso de dois vectores distintos sequêncialmente chama-se prime-boost. O objectivo é evitar a neutralização do vector viral modificando a sua origem mantendo em comum o antigénio de interesse. Assim sendo o vector inicial é o virus Vaccinia e depois o vector seguinte é o virus Ankara.
Os autores testam o ligando de Toll-like receptor9 (Desoxiribonucleotideos CpG) e o uso de Flt3 ligand para potenciar os efeitos da estratégia de prime-boost. Os autores descrevem que a vacina assim utilizada induz uma elevada mobilização de células dendriticas (células apresentadoras de antigénios profissionais do sistema imunológico) e em estado maturo de diferenciação. Como resultados os autores mostram que no grupo de animais tratado com Flt3L e CpG, o número de linfócitos T CD8 especificos do antigénio Gag do SIV é superior a todos os outros grupos animais testados, e que em termos clinicos a vacina tem efeitos profiláticos na protecção dos animais contra um infecção mucosal por via rectal com o virus SIV.
Os dados apresentados são extremamente encorajadores para o uso desta estratégia prime-boost com CpG e Flt3L em estudos pré-clinicos em humanos.
Dêem uma olhada e deixem os vossos comentários…
Pedro
O ficheiro pode ser obtido aqui…




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