Archive for Abril, 2008

Uma pitada de açucar para acordar da dormência - inverter o estado de anergia dos TILs

Viva

A décima quarta edição do podcast Jornal Club Imunoterapia tumoral esta no “ar“.

Desta feita apresento-vos um artigo recentemente publicado no jornal Immunity, e que nos descreve que linfócitos T infiltrantes dos tumores podem ser extraidos do seu estado anergico por tratamento com N-acetillactosamina (LacNAC) ex vivo. O artigo explica que este açucar liga-se com a galectina-3 e impede que esta lectina crie uma matriz que impede a mobilidade do TCR (receptor da célula T) e do co-receptor CD8 e consequentemente a possibilidade de activação dos linfócitos.

Os autores observam que linfócitos recentemente isolados de metastases e ascites (liquido peritonial inflamatório) de cancro humano apresentam CD8 e TCR separados espacialmente, incapazes de serem marcados com tetrameros e produzirem citoquinas.Mas, uma vez incubados com LacNAC, o CD8 co-localiza com o TCR, e as células acquirem capacidade funcional. Mágico!

Criam-se expectativas de uso de ligandos de galectina-3 na reversão do estado anergico dos linfócitos infiltrantes dos tumores (TIL) e possiveis aplicações clínicas.

Um abraço.

Será a Arca de Noé das Sementes uma boa idea?

Já há uns tempos que ando a meditar sobre o assunto… e quanto mais penso mais me convenço que de facto não é boa idea. E sabem porquê? Por que acho que se esta a dar um cheque em branco para o desenvolvimento desenfreado da expansão de plantas genéticamente modificadas na exploração agricola mundial.

Numa primeira prespectiva a preservação das espécies nativas de cultures agricolas é louvável para a preservação da diversidade de interesse alimentar contra as supostas alterações climáticas e diminuição da diversidade agricola que ocorre desde a 50-60 anos.

Outra idea bem transmitida será também que face às alterações planetárias que se advinham no futuro a nivel climático e geopolitico, teremos uma diversidade genética que nos permitira seleccionar variantes adaptadas os neo-ecossistemas gerados e permitir a manutenção do fornecimento alimentar e mesmo energético (os famosos falsos bio carburantes). Louvável de novo, sem dúvida.

É verdade que a diversidade corre um risco enorme. A pressão actual para o fornecimento de recursos alimentares e mais recentemente energéticos vai “artificialmente” levar, e já leva, actualmente, ao uso de monoculturas e espécies em número limitado e em crescente número já genéticamente modificadas - não sejamos naïves sobre o assunto, é uma realidade actual. Sendo assim o espaço reservado às espécies nativas e respectivas variantes encontra-se em risco de desaparecer para sempre com a conivência politica dos estados face aos benefícios socio-económicos. Portanto a preservação é uma boia de salvação para a catastrofe ecológica que vivemos em termos de variabilidade vegetal no contexto alimentar (e não referindo outras catastrofes ecológicas).

Mas… esqueceram-se de fornecer algumas informações camufladas… a criação de um armazem de diversidade genética nativa é uma benesse para a industria de biotecnologia focalizada no desenvolvimento de variantes genéticamente modificadas, tais como a famosa Monsanto entre outros gigantes da petroquimica e biotecnologia. Estas empresas vão ter a garantia que estas variantes nativas vão ser preservadas podendo ser fonte quase infinita de variantes puras que podem assim re-manipuladas, patenteadas, vendidas e impingidas a preço de ouro aos pobres agricultores, mantendo e expandindo os seus lucros faraminosos. Outro enorme interesse de patrocinar a criação deste armazém perpétuo é evitar que as variantes existentes genéticamente modificadas contaminem as variantes naturais existentes, o que de certo modo é aceitar a presença e expansão desenfreada dos organismos genéticamente modificadas nas explorações agricolas.

Por outro lado estamos a permitir que de hoje em diante não nos preocupemos da redução da diversidade nas próximas décadas pois temos amostras “preservadas” pelo frio artico. Acto tipicamente humano de displicência tantas vezes observado.

Se esticar-mos mais a corda, podemos ainda chegar a conclusão que esta actitude tem pouco a haver com o processos ecológicos de evolução, adaptação e especiação que nos forneceram tantas variedades vegetais. Congelar é parar o processo de especiação natural de cada uma das espécies existentes.

Qual será  a melhor solução alternativa … a solução é primeiro eliminar todo o tipo de organismo genéticamente modificados na exploração agricola. Implementar e explorar o uso de variantes naturais adaptadas as condições geográficas/ecologicas e ambientais de cada região agricola. Incentivar a diversidade biológica e reduzir a estrutura extensiva da monocultura e exaustão dos solos agricolas, etc etc.

A tecnologia e o conhecimento de suporte existe, temos é de ter vontade de combater os poderes e influências politicó-economicos actualmente vigentes.

Resistência natural de bactérias do solo a antibióticos.

Num recente artigo publicado no jornal Science , é apresentada evidencia que bactérias encontradas no solo podem sobreviver quando cultivadas in vitro em meios de cultura onde a única fonte de carbono para as suas funções metabólicas são antibióticos.

Dos antibióticos testados, uma grande parte é utilizada na clínica, e das espécies resistentes aos antibióticos testados se includem grupos filogenéticos conhecidos pelas suas qualidades patogénicas tais como as ordens actinomycetales, enterobacteriales, e pasteureales, entre outras.

Mais uma vez se torna óbvio que a resistência natural de agentes patogénicos não é nada de novo na natureza e que precauções devem ser tomadas quanto a prescrição generalizada de antibióticos para situações clínicas de origem patogénica não susceptiveis a antibióticos ou de relativa pouca importância na qualidade de vida e que em situações de imunocompetência se resolvem em relativo pouco tempo de forma fisiológica e natural.

O uso descontrolado de antibióticos leva a selecção de variantes ou espécies resistentes aos antibióticos usados, com importantes consequências no controlo de situações patológicas graves.


 

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