Será a Arca de Noé das Sementes uma boa idea?

Já há uns tempos que ando a meditar sobre o assunto… e quanto mais penso mais me convenço que de facto não é boa idea. E sabem porquê? Por que acho que se esta a dar um cheque em branco para o desenvolvimento desenfreado da expansão de plantas genéticamente modificadas na exploração agricola mundial.

Numa primeira prespectiva a preservação das espécies nativas de cultures agricolas é louvável para a preservação da diversidade de interesse alimentar contra as supostas alterações climáticas e diminuição da diversidade agricola que ocorre desde a 50-60 anos.

Outra idea bem transmitida será também que face às alterações planetárias que se advinham no futuro a nivel climático e geopolitico, teremos uma diversidade genética que nos permitira seleccionar variantes adaptadas os neo-ecossistemas gerados e permitir a manutenção do fornecimento alimentar e mesmo energético (os famosos falsos bio carburantes). Louvável de novo, sem dúvida.

É verdade que a diversidade corre um risco enorme. A pressão actual para o fornecimento de recursos alimentares e mais recentemente energéticos vai “artificialmente” levar, e já leva, actualmente, ao uso de monoculturas e espécies em número limitado e em crescente número já genéticamente modificadas - não sejamos naïves sobre o assunto, é uma realidade actual. Sendo assim o espaço reservado às espécies nativas e respectivas variantes encontra-se em risco de desaparecer para sempre com a conivência politica dos estados face aos benefícios socio-económicos. Portanto a preservação é uma boia de salvação para a catastrofe ecológica que vivemos em termos de variabilidade vegetal no contexto alimentar (e não referindo outras catastrofes ecológicas).

Mas… esqueceram-se de fornecer algumas informações camufladas… a criação de um armazem de diversidade genética nativa é uma benesse para a industria de biotecnologia focalizada no desenvolvimento de variantes genéticamente modificadas, tais como a famosa Monsanto entre outros gigantes da petroquimica e biotecnologia. Estas empresas vão ter a garantia que estas variantes nativas vão ser preservadas podendo ser fonte quase infinita de variantes puras que podem assim re-manipuladas, patenteadas, vendidas e impingidas a preço de ouro aos pobres agricultores, mantendo e expandindo os seus lucros faraminosos. Outro enorme interesse de patrocinar a criação deste armazém perpétuo é evitar que as variantes existentes genéticamente modificadas contaminem as variantes naturais existentes, o que de certo modo é aceitar a presença e expansão desenfreada dos organismos genéticamente modificadas nas explorações agricolas.

Por outro lado estamos a permitir que de hoje em diante não nos preocupemos da redução da diversidade nas próximas décadas pois temos amostras “preservadas” pelo frio artico. Acto tipicamente humano de displicência tantas vezes observado.

Se esticar-mos mais a corda, podemos ainda chegar a conclusão que esta actitude tem pouco a haver com o processos ecológicos de evolução, adaptação e especiação que nos forneceram tantas variedades vegetais. Congelar é parar o processo de especiação natural de cada uma das espécies existentes.

Qual será  a melhor solução alternativa … a solução é primeiro eliminar todo o tipo de organismo genéticamente modificados na exploração agricola. Implementar e explorar o uso de variantes naturais adaptadas as condições geográficas/ecologicas e ambientais de cada região agricola. Incentivar a diversidade biológica e reduzir a estrutura extensiva da monocultura e exaustão dos solos agricolas, etc etc.

A tecnologia e o conhecimento de suporte existe, temos é de ter vontade de combater os poderes e influências politicó-economicos actualmente vigentes.

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