Auto-imunidade no olho após imunoterapia contra melanoma

O que se temia acontece de facto.

Num trabalho recentemente publicado no PNAS, o grupo de Steven Rosenberg vem comprovar o que se temia acontecer em situacoes de forte inducao imunologica contra os antigénios de diferenciação melanocítica eg, Melan-A/MART-1, tirosinase, gp100. Num sistema experimental de vacinação contra o melanoma incluindo imunodeplecao e elevadas doses de interleuquina 2, os autores do trabalho observaram não somente fenómenos de vitiligo, mas também sinais de destruição dos melanócitos do olho. O trabalho faz mesmo a capa da edição.

Os fenómenos de vitiligo, foram quase sempre considerados factos positivos após terapia dirigida contra antigénios da linhagem melanocitária, pois indicam que a resposta imune encontra-se activa e é capaz de destruir os melanocitos da pele. O vitiligo observado nestes ensaios era pequeno e pouco extenso, e sobretudo resultado de uma resposta imunologica em pequena escala.

Os ensaios realizados pelo grupo de Steven Rosenberg no passado, vieram demonstrar que a respostas imunologicas anti-melanoma poderiam ser potenciadas a um ponto em que 50% dos doentes com melanoma quando tratados atingiam respontas clinicas objectivas, com redução da massas tumorais ou completo desaparecimento dos tumores em certos casos. O facto, é que o sistema terapeutico desenvolvido puxa ao máximo o sistema imunológico dos doentes e é dificilmente gerivel e aconcelhavel para muitos dos doentes. Os pacientes são primeiro imunosuprimidos drásticamente para remover o sistema imunológico residente e posteriormente os doentes são transferidos adoptivamente com elevadas quantidades linfócitos infiltrantes dos seus tumores (TIL) expandidos em grande quantidade e doses massivas de interleuquina 2. Devo dizer que o tratamento é drástico, colocando o paciente num estado de temporaria imunodepressão e depois com um estado febril pouco gerável. Os resultados obtidos são no entanto bem evidentes, mas a que preço?

O trabalho actual vem portanto corroborar o que se temia, e que pelos vistos foi documentado num outro trabalho. Em situações de ataque massivo contra os antigénios de diferenciação melanocitária, não somente existirão sinais de vitiligo, como também a destruição dos melanócitos presentes nos olhos e correspondente diminuição da capacidade visual e mesmo cegueira, oque de um aspecto deontológico é difícil de aceitar.

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